
Itália para quem já foi — e quer descobrir o que não encontrou
Tem um pedaço da Itália que eu demorei a mostrar para os clientes. Não porque seja escondido, mas porque é o tipo de lugar que só faz sentido para quem entende. A Puglia é isso: o salto da bota, onde o tempo anda mais devagar e o luxo é não ter pressa.
Passei por muitas regiões da Itália antes de me apaixonar por esta. E quando digo que a Puglia me conquistou, é porque ela oferece algo raro: autenticidade sem esforço. Não é uma região que se arruma para o turista. Ela simplesmente é. E é justamente por isso que funciona tão bem para quem já viu o óbvio e quer algo mais verdadeiro.
Alberobello e os trulli
A primeira vez que se vê os trulli — aquelas casinhas brancas de telhado cônico de pedra — parece cenário de conto. Alberobello é Patrimônio da UNESCO, e dormir num trullo restaurado, com paredes de meio metro de espessura que mantêm o frescor mesmo no auge do verão, é uma daquelas experiências que ficam. Eu levo meus clientes para os trulli que viraram suítes privativas, longe dos ônibus de excursão.
Matera e as pedras que atravessam milênios
Tecnicamente Matera fica na Basilicata, logo ao lado, e eu nunca monto um roteiro de Puglia sem incluí-la. Os Sassi, os bairros de casas escavadas na rocha, são um dos assentamentos humanos mais antigos do mundo, habitados há mais de nove mil anos. Caminhar por Matera ao entardecer, quando a pedra fica dourada, é das coisas mais bonitas que a Itália tem a oferecer. Hospedo meus clientes num hotel-caverna sobre a ravina, com silêncio absoluto e uma vista que não se esquece.
Bari, Otranto e o mar de dois azuis
Bari surpreende: a cidade velha, a Bari Vecchia, tem senhoras fazendo orecchiette na porta de casa como se o tempo não tivesse passado, e um dos melhores peixes crus do Adriático. Mais ao sul, Otranto, o ponto mais oriental da Itália, tem um mar que muda de azul conforme a hora do dia, uma catedral com um mosaico de chão do século XII e uma muralha que guarda histórias de piratas. É a Puglia que quase ninguém coloca no roteiro, e que sempre vira a parte favorita da viagem.
As masserie — dormir numa fazenda de outro século
Se tem uma coisa que define hospedagem na Puglia, são as masserie: antigas fazendas fortificadas entre oliveiras centenárias, muitas convertidas em hotéis de altíssimo padrão sem perder a alma. Piscina entre as oliveiras, azeite produzido ali mesmo, jantar sob as estrelas com produtos da própria terra. É o tipo de lugar onde eu chego, respiro fundo, e lembro por que faço o que faço. As melhores masserie não aparecem nas plataformas convencionais. Chega-se a elas por indicação. E é exatamente isso que a Grossi oferece.
A Puglia não se visita com pressa.
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